O Next.js tornou-se rapidamente uma das frameworks mais populares do ecossistema React, elogiado pelo suporte nativo a renderização no servidor (SSR), geração de sites estáticos (SSG) e rotas de API. São características que o tornam muito apelativo para quem desenvolve, mas convém reconhecer que nem sempre é a solução certa para todos os projetos.
Na Lynxmind, a equipa de Experiência Digital está neste momento a construir uma solução interna em Next.js. Ao longo do processo, tivemos o cuidado de identificar e gerir alguns dos desafios que costumam acompanhar estes projetos.

A complexidade cresce com a escala
A primeira armadilha é a complexidade aumentar bastante à medida que o projeto cresce. O Next.js brilha em projetos pequenos e médios, onde a simplicidade e o desempenho são o que conta. Mas assim que o âmbito se alarga, sobretudo com gestão de estado complexa, rotas dinâmicas ou middleware avançado, quem desenvolve começa a encontrar complicações inesperadas e a improvisar soluções de recurso. O que começou simples pode tornar-se rapidamente incómodo.

Cuidados com o desempenho
Embora o Next.js seja habitualmente elogiado pelo bom desempenho de origem, garantir um desempenho consistente e ótimo não é automático. A renderização no servidor, útil em muitas situações, pode tornar-se um estrangulamento se não for cuidadosamente otimizada. É, por natureza, exigente em recursos, o que significa que aplicações mal configuradas podem sofrer de carregamentos lentos e de uma experiência degradada.

Convenções fortes, flexibilidade limitada
O Next.js traz o seu próprio conjunto de convenções e opiniões sobre como as coisas devem ser feitas, o que nem sempre serve a todas as equipas. Esta abordagem estruturada, benéfica para umas, pode ser restritiva para outras, em especial para quem precisa de maior liberdade nos processos de compilação ou nas estratégias de publicação. Quem está habituado a frameworks mais flexíveis dá por si a esbarrar frequentemente nestes limites.

Evitar a sobre-engenharia
Outra consideração importante é o risco de sobre-engenharia. Levadas pelo entusiasmo do setor ou pela pressão dos pares, as equipas podem adotar o Next.js cedo demais, sem ponderar soluções mais simples e igualmente eficazes. Alternativas como geradores de sites estáticos, ou mesmo aplicações React tradicionais renderizadas no cliente, encaixam muitas vezes melhor nos requisitos e evitam complexidade desnecessária.

Escolher a ferramenta certa
O Next.js é, sem dúvida, excelente em muitos cenários. Mas convém não esquecer que não é uma solução mágica. A escolha de uma tecnologia deve partir sempre de requisitos, restrições e competências da equipa bem definidos, e não da popularidade ou das tendências do momento. Para cenários que exigem simplicidade, desempenho e flexibilidade, ferramentas como o Astro, o SvelteKit ou o Remix podem ser mais adequadas. Recentemente reconstruímos o nosso site com Astro. Pode ler mais sobre isso aqui.
Gostávamos de conhecer a sua experiência com o Next.js e com outras frameworks. Tem sido a escolha certa para os seus projetos, ou encontrou melhores resultados noutras ferramentas? Diga-nos o que pensa.

